Os algoritmos da Netflix atrás das recomendações e produções de filmes

Você também já assistiu uma recomendação da Netflix e depois sentiu como se aquela filme/série fosse perfeito pra você? Mas o que faz 139 milhões de assinantes da plataforma ter esse sentimento? Sentimos dizer que isso não foi sorte, e sim o resultado dos algoritmos da Netflix.

Co-fundador da Netflix, Reed Hastings

Em uma entrevista do CEO, Reed Hastings, quando questionado sobre concorrências da Netflix, ele chegou a declarar que seu “único rival é o sono”. O que se torna pertinente quando pesquisas mostram o tempo que usuários levam na plataforma. No final de 2017 a própria a empresa anunciou que seus usuários haviam assistido a 140 milhões de horas de conteúdo por dia, numa época em que o serviço de streaming possuía quase 118 milhões de assinantes. E isso graças ao mecanismo de algoritmos da plataforma sendo que mais de 80% dos conteúdos da Netflix são descobertos através das recomendações, curtidas e listas.

Central de ajuda da plataforma

Mesmo sendo um sistema de análise complexo, a empresa tentar falar um pouco em sua plataforma de como funciona seu sistema de recomendação. Os algoritmos são máquinas inertes e sem sentido até serem combinados com bancos de dados para com eles funcionar. (GILLESPIE, 2014) Com base nisso, a Netflix revela como utiliza esse banco de dados em alguns fatores como suas interações com o serviço (como o que você assistiu e que nota deu a outros títulos), outros assinantes com gostos similares e preferências e informações sobre os títulos, como gênero, categorias, atores, ano de lançamento etc. Ela também analisa o horário em que você assiste, os aparelhos nos quais você assiste à Netflix e por quanto tempo você assiste.

Eles agrupam os assinantes em “clusters”, utilizando maioria das vezes o gosto em comum como divisão. As páginas iniciais dos usuários de cada comunidade são preenchidas por uma pequena fatia de conteúdo que a maior parte do grupo já assistiu ou gosta.  Logo você quando começa a utilizar do serviço pode ter homepage bem parecida com a uma pessoa em qualquer lugar do mundo, e a partir do que você vai assistindo ela vai mudando. Assim encaixando o seu perfil em uma comunidade, sugerindo produções semelhantes ao que pessoas dessa mesma comunidade assiste. Enfatizando assim o que cita  (JURNO; DALBEN, 2018): Os algoritmos trabalham principalmente a partir da criação de perfis de padrões de comportamento criados com base em dados de milhares de outros usuários. Os algoritmos enquadram cada usuário em um tipo de perfil e, com base nos padrões de comportamento daquele perfil, selecionam o conteúdo que será disponibilizado para eles.

Vamos dar um exemplo, supondo que você assista um filme com Jim Carrey e acabe dando sinal de desaprovação. Com essa desaprovação, os algoritmos classificam que você não gostou e é muito possível que outro filme do ator não apareça tão cedo em sua homepage. Agora, se você procura constantemente por nomes de diretores ou filmes consagrados, os algoritmos vão se lembrar disso e te sugerir vários filmes que tiveram indicações ao Oscar, Globo de Ouro, Cannes e afins. Todo esse processo é para realizar o que cita Franklin Foer (2017, on-line), “o algoritmo foi desenvolvido para automatizar o pensamento, para remover decisões difíceis das mãos dos humanos, para resolver debates controversos”.  

Mas como se sabe, grande parte do sucesso da Netflix também é por causa de suas produções originais. E uma de suas grandes polêmicas é de ter seu processo de produção, pelo menos do ponto de vista criativo, como uma consequência dos algoritmos e do big data.

Um exemplo disso, é o caso de “House of Cards”. A produção de 2013 já era vista como um sucesso antes mesmo de começarem a filmar. A Netflix revelou que por mais de uma década recolheu dados e nessas análises mostrou como seus assinantes gostavam do trabalho de David Fincher (diretor de “House of Card” e “A Rede Social”), que a versão original da BBC de 1990 tinha feito muito sucesso e que o ator Kevin Spacey era um dos mais seguidos em redes sociais, além de ser bastante renomeado com diversas indicações e premiações. Como todas essas análises, a conclusão era que uma série com esses elementos não seria nada menos que um sucesso, o que acabou realmente sendo, também por causa de sua produção. Esse foi um dos únicos casos que a Netflix forneceu informações oficiais, mas nos faz questionar de até onde os algoritmos e big data irão influenciar nessa produção cinematográfica.

House of Cards (2013 – 2018)

David Beer (2009) argumenta que, na era da seleção e filtragem algorítmica, nós não encontramos as informações, mas elas nos encontram a partir dos critérios de seleção e ranqueamento de conteúdo. Mas, seria isso também uma forma de nos fechar em uma espécie de bolha de entretenimento? Ainda não temos uma resposta pra isso, mas estamos curiosos pela sua. Deixa ai no comentário o que você acha.

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